segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Fica pra próxima



Ela o convidou para ouvirem juntos ‘uma música’:
­- Traga vinho tinto seco, salaminho italiano, provolone e chocolate 85%.
Ele achou-a “pra frente”, modernosa, por ventura já tinha ouvido falar em
revolução feminina, tanto faz, tanto fez, macho instintivo que é,
importa pouco revoluçõezinhas de costumes,  
“tudo deve mudar para que tudo fique como está”,
ganhou o livro do Lampedusa, mas parou de ler lá pela página 87
e só viu o filme por causa da Cardinale.
Ela o recebeu com a velha e boa cordialidade petulante:
- E aí o quê vamos ouvir?
-‘ Verão’ das quarto estações!
- Nossa, Antônio Vivaldi, ‘que massa’!!
_ Quem disse? É o novo cd do Wintersun.  
Longas estações e outros tantos folks, vikings,
(filhotes de Odin e Bathory) fizeram muito barulho,
sua ânsia e testosterona já tinha baixado à um nível crítico,
como uma barragem, estava chegando perto do racionamento,
pensava nos amigos lá no buteco copo sujo da esquina,
bebendo ‘sorveja’ e discutindo  futebol de várzea.
Frases de efeito não era coisa que mexia com ele, mas...
“nas fotos você parece futurista,
entanto, pessoalmente você é decadente”,
ahhhh!! coisa de quem está assistindo muitos seriados da netflix,
ôôô filhinha, o Dr. Lecter não se copia.
Aquele esperado boquete não rolou, tudo bem, a liberdade tem alguma valia.
Deitou e dormiu, sonhou com sol, praia e muitos rebolados,
os dias seriam quentes até janeiro.
O domingo amanheceu ensolarado, sem previsão de chuva,
e o primeiro Zap que chegou era dela:
_ Eu me esqueci de te mostrar uma música, se você quiser podemos beber uma Backer.
_ Obrigado, eu agradeço o convite, mas, fica pra próxima.
Ele pegou o ray-ban e acelerou pro Mercado, o dia seria no ritmo
dos brindes e no descompasso causado pelas garotas que passam 
e não olham por lado. 

https://www.youtube.com/watch?v=ffQ2B5qegRg

domingo, 1 de outubro de 2017

Aresta



            na aresta  que
               me resta
             faço festa
                               sozinho
boreal abandono
                          forte
 me desvencilho
       com  a pressa
 dos desocupados e
 me despeço  
  pela pequenina
                              fresta. 
https://www.clubedeautores.com.br/book/215886--Ainda_Pulso_e_Deliro?topic=poesia#.WdD7DdGBqUk

domingo, 17 de setembro de 2017

Caçando uma parte de mim

enquanto divago
memórias
enquanto caço
o ludibriado
o verdejante outrora
"time to die"
 enquanto sou metade
de quê nunca fui
do quê desejei
morro aos poucos...

"é pena que ela não vá viver,
mas, afinal, quem vive?"
https://www.youtube.com/watch?v=Cg0cmhjdiLs

Ningém vai



Quem é que vai
endossar o quê digo
quem vai
avalizar o quê mendigo
quem é que vai
adoçar o amargor
que está inserido
no quê eu grito
quem é que vai
maturar
defumar
a ilibada e pútrida carne
que está pendurada
no farpado e atemporal
descuido
quem vai me conceder
o direito ao não
o direito de estar longe
ser desatento 
despreocupado e rude   
quem é que vai
manchar em minha epiderme
os infortúnios que não pude
evitar
os malogros que eu não soube  
definhar
quem é que vai...
... ninguém vai.
                                           Foto: Israel Faria