o quê eu denomino
domino?
quem eu demonizo
dogmatizo?
quem dera domesticar
doutrinar?
quero doravante
a distância...
é
diferente
pra você?
não, sei bem,
você é
indiferente;
o quê
difere
é você
não os
outros...
pra mim
tanto faz a chuva que assola
tanto faz que nos arrabaldes
caia raios
pra mim tanto
faz o chuvisco que viola
tanto faz que nos arredores
saia ratos
pra mim tanto
faz se o pedido for solene
tanto faz a despedida sem
parecer ser
pra mim
tanto faz se o pior for pra dois
tanto faz o desprezo ser o de
fato é
pra mim
tanto faz o estrondo ser a causa do seu despertar
tanto faz ter que ignorar
ruídos seus
pra mim
tanto faz o silêncio ser o seu comunicar
tanto faz ter que isolar a
claridade solar
pra mim
tanto faz o modo genuíno de sobressair
tanto faz ser e não constar
como
pra mim
tanto faz o legítimo e iminente destruir
tanto faz ser e em vão tentar o
oposto.
‘pra
mim tanto faz a névoa úmida’ M. Tsvetáieva
o seu
silêncio
é
elouqüente
é um
estrondo
é
esdrúxulo
o seu
silêncio
sabe me
espezinhar
ele sabe destilar
escárnio
enfadar meu
êxtase
o seu
silêncio
evoca o fastio
enluta o quê poderia
enleva o quê não mais
enternece o quê supus
o seu
silêncio
esculhamba minhas tentativas
minhas tentações
o seu
silêncio
emparedou meu
espectro e
este (por sua vez)
estarrecido foi
extirpado de forma
encantadora.
passei
passamos
e
o quê ficou
o
quê resta
no
fundo da memória ‘Alzheimer’
na
lembrança de lapsos
o
quê ficou
em
cada âmago
o
vazio
o
esquecimento
puro
e simples...
passei
passamos
ela
foi mais brutal que o
capitão
Nascimento
me
pedindo pra sair
pra
sumir
covarde
que sou
sai
pela portinhola
que
estava entreaberta
pulei
a pequenina janela
do
sótão
esgueirei
pela fresta
mal
iluminada...
passei
passamos
o
segundo andar
congelou
corações
como
uma noite de nevasca
no
deserto
não
mais
nenhuma
aurora boreal
trará
de volta
o
frescor
da
primeira manhã de outono
que
adentra
sorrateiramente
pela
epiderme...
passei
passamos
e
o ‘tal’ amadurecimento
permanece
lá entre felinas
ferozes
leoas defendendo
suas
crias
(sic)
inatingível...
Seria
um
desgastes
desnecessário
então,
falarei
somente das
folhas
caídas
à
revelia do
vento...
seria
um
desperdício
descabido
portanto,
lembrarei
apenas
o
que fôra dito
aleatoriamente
sobre
o sorriso
verdadeiro
do catador de recicláveis
naquela
nublada manhã...
seria
uma
desavença
desconfortável
entanto,
destacarei
só
o
último diálogo
non
sense
com
o espectro
rivalizador,
semelhante
ao seu
semblante
ameaçador...
seria
um
descarte
desmoralizante
logo,
manterei
exclusivamente
na
prateleira defronte,
seus
insultos e descasos
para
não se perder
na
memória,
o
suco ígneo e escaldante
da incompatibilidade...
Não
se glorie,
por
ter sido
tão
turrona
(terra
seca, esturricada)
no
trato com outrem
‘’comigo’’.
Não
se glorie,
por
ter sido
tão
você mesma
na
sua pura essência.
Não
se glorie,
por
ter desempenhado
tão
bem o que de fato
vós
sois verdadeiramente
e
demonstrar
tão
claramente
aquilo
que não
consegues
esconder.
Não
se glorie,
nem
tente fingir
sentimentos
vãos
os
verdadeiros querendo ou não
sempre
emergem
nos
pequenos detalhes:
indiferença,
ao
abrir a porta quando chego
impaciência,
ao
responder uma qualquer indagação
ignorância,
ao
recusar carinho e afeto e energia,
‘’
não se atreva’’.
Não
se glorie,
aconteceria
num qualquer
momento
silente,
de
um jeito menos ruidoso,
aconteceria
à luz
do
vazio
do
alívio
e
estaria posto
como
mormente
desaba
a aurora.
Resta
pouco entre
a
memória
a
imaginação
as
tralhas
dentre
esses os rabiscos
que
esqueci de enviar
(dias
tardios):
‘não
pude voltar, espero que entendas’!
Absorto na luta
irracional
da mosca
e
seu desespero no vidro
e
eu incapaz de simplesmente
abrir
a janela...
...
e ela lá,
tergiversando
sobre a melhoria
das
universidades federais com
o
aumento do funcionalismo.
Absorvido no rugir
silencioso
da formiga
defendendo
com afinco
um
delicioso naco de açúcar...
...
e ela lá,
balbuciando
desconexas frases
sobre
poesia francesa,
petelecos
sobre literatura russa.
Abstraído na gatinha preta
que
se alongava sob
o
ruidoso ventilador de teto
enquanto
eu bocejada de tédio...
...
e ela lá,
falando
como se estivesse
elaborando
um raciocínio lógico
brilhante
e inovador.
Alheio à toda
aquela
afetação
eu
só pensava
em
ir pra casa
beber
um vinho
e
assistir a
2*
temporada de
Ruptura.