segunda-feira, 4 de junho de 2012

Inábil para Absurdos


Não, eu jamais fiz isso.
Nunca torci contra,
Nunca desejei que
Não desse certo.
Nada de olho gordo,
Nem mau olhado,
Nada de praga.
Nenhum sortilégio,
Nenhuma reza,
Nada disso, nem
Mandinga,
Macumba ou
Despacho,
Descarte qualquer
Dessas
Possibilidades,
Sou inábil para absurdos.
Repito, jamais pensei nisso,
E nunca o farei.

domingo, 3 de junho de 2012

Labor


Árduo labor
           lida
ardente;
aprender à
esquecer
o que já perdi,
o que já não sou
para outrem/alguém/ninguém;
e trabalhar,
me preparar para
o que está preste.

QUEM?


QUEM É O QUÊ?
QUEM É     QUAIS?
QUAIS NÃO SÃO AQUILO?
                               AQUILO 
NÃO É QUEM?
             QUEM É PORCO?
                             PÉROLA
                          É
             QUEM?
QUANTO PERDE
QUANDO PÁRA?
                  PARAR COMO?
                  PERCO      ME!

Pós Poda


Pós poda
Verde diminuto
Verve         nula
Arvore
Ar    de      nua
Arvoredo  clama
Ar    de      chama
Ver     uma   rama
vi      ser    Planta
Vivaz
Viva!
Verde
      re
      des
  coberto.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Terra úmida


Fui deixado sem que
efetivamente &
afetivamente 
houvesse um começo.
Entre nós um amor galáctico,
ela disse que eu deveria amar
(ou foi admirar?)
mais os astros,
que de quando em vez
eu olhasse o céu noturno,
as constelações,
o cintilar de todo aquele infinito;
que eu desprendesse do umbilical,
do ventre que me amarrava às
coisas terrenas.
Aquilo estava ficando hermético demais,
então, do alto de minha ignorância e despojamento
fui pro quintal,
remexer a úmida terra, atrás de
minhocas, tanajuras e o
reluzente rasto da lesma.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Solicitações

                                                                                                Acordou,

‘pés no chão’,
pijama amarrotado;
do banheiro voltou com
cara de ‘panguá’,
o ‘dentifrício’ acabara.
Esfregou o ‘vitrô’
(movimentos circulares),
para desembaçar e pensou:
teremos mais um dia nublado,
com possibilidades de pancada
de chuva no final da tarde.
Enquanto a água fervia,
tentou filosofar sobre o que havia sonhado,
não era pra ele as teorias complicadas do
médico alemão.
Uma colher de nescafé e    
algumas gotas de adoçante;
sorvia seu café ralo de todo dia e
meditava sobre o quê poderia ser
feito naquela manhã,
toupeira como era titubeou,
lembrando depois das solicitações
que haviam para serem atendidas,
o quê deveria
devolver,
o quê deveria
abandonar,
o quê deveria
esquecer.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Baleiro


Com a mão esquerda
girou  o baleiro de vidro
tampas de plástico, coloridas;
tentou ocultar um
sentimento aflitivo, uma
aflição pungente, uma
comoção,
resquícios de infância,
algo à ser esquecido,
entanto sempre vinha perturbar-lhe;
do bolso da jaqueta xadrez
sacou algumas moedas,
então com destreza absoluta
 pegou balas soft 
com suas cores de predileção e um
chiclete ploc de tutti-frutti.  

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Destinos na tocaia

A desolação de estar no meio do nada,
de uma esperança esvaída na poeira,
na possibilidade tão árida quão o solo...
Uma mulher grávida,
sozinha num rincão do Brasil,
o martírio da solidão, do abandono.
Na chegada de um retirante às avessas,
um alento,
depois, é claro, 
da desconfiança natural do bicho.
O alento, no entanto, será
desfigurado amiúde,
no convívio sórdido entre humanos.
A força das interpretações,
a poética do arrebol,
o desprezo dos passantes,
o bebê e seu choro intérmino,
o desespero junto às mudanças sempre adiadas:
destinos na tocaia. 

Filme: Latitude Zero
Para aqueles que ainda insistem no não reconhecimento do multifacetado
Cinema Nacional, eis aí uma boa chance de rever (pre)conceitos.