domingo, 15 de julho de 2018

Eu preciso


Eu preciso
expor o que
me aflige  
eu preciso
impor o que
insurge
eu preciso
depor o que
me retarda
eu preciso
transpor o que
resvala...
eu preciso
rever o impreciso
  ver o improvável  
 e ser  imponderável.

O sujeitinho


de blasfêmias
em súplicas
o sujeitinho
depena as
alegorias
que estavam
esperançosamente
penduradas no varal
de nuvens...

de lamúrias
em júbilos
o sujeitinho
desmantela
o quê poderia
o quê talvez
mas, que não
     que nunca
será!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O contrário


pensei que eu poderia dizer o contrário
                                                    o contrário do que pensei
                que pensando diria o contrário
                                    podendo o contrário mudar o que eu dizia
                                                     o contrário mudando o pensar
       poderia dizer que pensei o contrário
                                                     o contrário do que poderia
                       não puder dizer o contrário
                                            nem o contrário que pensei
               dizendo o que penso o contrário eu posso
                            o que poderia o contrário dizer?
                                   posso com o contrário pensar
                                                       o contrário que o diga!


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Assustado

Estou assustado,
devastadamente  
assustado 
mas, não importa
aliás, pouco importa
quando é apenas um segredo,
um pequenino e antiquado segredo
de infância que retorna sorrateiramente.
Nunca haverá
reconhecimento
para o desespero
para o desajuste
para o descontrole
para o medo do nada
        o medo do vazio,
nunca serei felicitado
por isso...
Assustado,
peço-te, mantenha o segredo,
mantenha-o na gélida sombra,
porque eu sei
creio ainda,
ninguém dá medalhas
por este tipo de
bravura.   


domingo, 20 de maio de 2018

Fogo-fátuo


Todos os relatórios
foram engavetados,
o dia amanheceu chuvoso
e os excêntricos transeuntes,
os esdrúxulos passantes
não se importaram com os
meus rascunhos,
as minhas anotações serão
devidamente ignoradas,
meu fogo-fátuo,
as oportunas reuniões dirão
um pouco menos do que costume
e os que sempre se mantiveram 
à espreita, lá estarão, 
imponentes  e risonhos,
o soberbo deboche,
a debandada da triunfante imbecilidade,
nenhuma planilha vai conseguir a ordem,
nada de pauta pra lado algum,
meteoros seria rápido demais,
merecemos a sublime degradação,
a corrosão inevitável dos idiotas...

Vou me opor,
me manter perto da erupção,
não me interessa ver o desmanche da
(in)sanidade.     

domingo, 29 de abril de 2018

10 Anos!


Nesta semana (mais precisamente na quinta dia 26) completou 10 anos deste blog,
cacos que criados foram com o intuito de cortantes serem, entanto...
tem sempre um “mas”, o corte sempre cega antes de nos darmos conta, 
o tempo  nos prega peças tragicômicas, e os palhaços, os bobos da corte ficam assim,
achando que por ventura , acaso, poderiam influenciar na decadente marcha para o báratro,
o desfiladeiro logo ali, o lamaçal, o pântano e nem se dão ao trabalho do desvio,
é seguir correnteza à baixo, manada rumo ao nada...
Não, não, nada de reclames à título de poesias não lidas, vamos deixar as “curtidas”
para o instagram, as sorridentes fotos para o facebook...
Limar os gumes e novos cortes trazer, poeticamente ou não,  cacos que relutam, que reluzem
nos estribilhos, nos desvãos de cada linha, cada trapézio, que balança,
cada frustrante tentativa... mas é isso, transpirar cada furtiva inspiração
e trabalhar na tênue linha do erro.
Obrigado à todos, e mais dez anos de labuta poética!  

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Ser ou sentir?

                                               sinto muito     
                  sinto-me mal
            me sinto mau
          péssimo sinto-me
          mal me sinto
               me sinto  longe
              sinto aonde  
                   sinto pouco 
          sem ser sinto  
                   sinto sem saber
            ser ou sentir? 

domingo, 22 de abril de 2018

Te vejo


te vejo depois!
te vejo quando?  
te vejo nunca,
te vejo talvez/
te vejo ao menos:
te vejo na dúvida;
te vejo no vão...

te deixo um adeus  
te deixo um estilhaçar

te vejo no próximo semestre
quando repetir o quê prometeu.