cacospoeticos
"SOU POETA MENOR, PERDOAI!" Manoel Bandeira.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Casca(o)
casca
de jatobá
casca
de jaboticaba
casco
de jaboti
casco
de jararaca
casca
de jurubeba
casco
de jumento
tu
– dando botes e coices
eu
– descascando impropérios.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Distância
o quê eu denomino
domino?
quem eu demonizo
dogmatizo?
quem dera domesticar
doutrinar?
quero doravante
a distância...
Indiferente
é
diferente
pra você?
não, sei bem,
você é
indiferente;
o quê
difere
é você
não os
outros...
domingo, 12 de abril de 2026
Tanto faz...
pra mim
tanto faz a chuva que assola
tanto faz que nos arrabaldes
caia raios
pra mim tanto
faz o chuvisco que viola
tanto faz que nos arredores
saia ratos
pra mim tanto
faz se o pedido for solene
tanto faz a despedida sem
parecer ser
pra mim
tanto faz se o pior for pra dois
tanto faz o desprezo ser o de
fato é
pra mim
tanto faz o estrondo ser a causa do seu despertar
tanto faz ter que ignorar
ruídos seus
pra mim
tanto faz o silêncio ser o seu comunicar
tanto faz ter que isolar a
claridade solar
pra mim
tanto faz o modo genuíno de sobressair
tanto faz ser e não constar
como
pra mim
tanto faz o legítimo e iminente destruir
tanto faz ser e em vão tentar o
oposto.
‘pra
mim tanto faz a névoa úmida’ M. Tsvetáieva
domingo, 18 de janeiro de 2026
O seu silêncio
o seu
silêncio
é
elouqüente
é um
estrondo
é
esdrúxulo
o seu
silêncio
sabe me
espezinhar
ele sabe destilar
escárnio
enfadar meu
êxtase
o seu
silêncio
evoca o fastio
enluta o quê poderia
enleva o quê não mais
enternece o quê supus
o seu
silêncio
esculhamba minhas tentativas
minhas tentações
o seu
silêncio
emparedou meu
espectro e
este (por sua vez)
estarrecido foi
extirpado de forma
encantadora.
quarta-feira, 28 de maio de 2025
Efêmeros
passei
passamos
e
o quê ficou
o
quê resta
no
fundo da memória ‘Alzheimer’
na
lembrança de lapsos
o
quê ficou
em
cada âmago
o
vazio
o
esquecimento
puro
e simples...
passei
passamos
ela
foi mais brutal que o
capitão
Nascimento
me
pedindo pra sair
pra
sumir
covarde
que sou
sai
pela portinhola
que
estava entreaberta
pulei
a pequenina janela
do
sótão
esgueirei
pela fresta
mal
iluminada...
passei
passamos
o
segundo andar
congelou
corações
como
uma noite de nevasca
no
deserto
não
mais
nenhuma
aurora boreal
trará
de volta
o
frescor
da
primeira manhã de outono
que
adentra
sorrateiramente
pela
epiderme...
passei
passamos
e
o ‘tal’ amadurecimento
permanece
lá entre felinas
ferozes
leoas defendendo
suas
crias
(sic)
inatingível...
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Seria...
Seria
um
desgastes
desnecessário
então,
falarei
somente das
folhas
caídas
à
revelia do
vento...
seria
um
desperdício
descabido
portanto,
lembrarei
apenas
o
que fôra dito
aleatoriamente
sobre
o sorriso
verdadeiro
do catador de recicláveis
naquela
nublada manhã...
seria
uma
desavença
desconfortável
entanto,
destacarei
só
o
último diálogo
non
sense
com
o espectro
rivalizador,
semelhante
ao seu
semblante
ameaçador...
seria
um
descarte
desmoralizante
logo,
manterei
exclusivamente
na
prateleira defronte,
seus
insultos e descasos
para
não se perder
na
memória,
o
suco ígneo e escaldante
da incompatibilidade...
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