quinta-feira, 13 de julho de 2017

Os sacripantas

                                               






                                                    

                                       até 
                                       a nossa
                                       asfixia
                                       os
                                       sacripantas
                                                plantam 
                                       seus   
                                          desplantes.


                                                                               

domingo, 9 de julho de 2017

Cuida ou crema



 Já amanhecia
adormeci
num breve instante
sonhei contigo,
e o seu maravilhoso
sorriso era abundante
transbordava

a posteriori 
houve um
‘casamento da viúva’
o sol trespassava a chuva e as
molhadas folhas do cajueiro
um felino afiava as unhas
num tronco carcomido pelos fungos

agora você
não mais
entendi
desistiu de mim
buscas a normalidade
és bela e decidida
e eu permaneço no
redemoinho das incertezas
na imaturidade de colher
resíduos estelares
constelações distantes
vagas ursas

distintos como nós 
o destino
cuida ou crema.

domingo, 25 de junho de 2017

Enquanto ela lia um livro



Ela foi sunsita:
-se você não parar com estas asneiras,
vou cortar sua glande...
tentei parecer o mais natural possível:
-ótimo, com aquela gilete enferrujada vou
retalhar seu períneo,
sangue, sangue, sangue,
a dor sempre me excitou...
e ela terminou com sua frase preferida:
- você é ridículo!   
Mesmo sem originalidade, eu considerei que valeria a pena
levá-la pra conhecer meus livros do R. Fonseca.
- o inferno é meu, não sou Eurídice, você não é Orfeu  e não espero resgate nenhum...
levantei disse que iria buscar uma tequila e não voltei,
que ela fique por lá, banhando-se no mármore e lendo
o velho Chinaski,
eu ainda pretendo degustar muitas xoxotas,
e que seja substituído  o amor pelo ‘bom humor’.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Exuberante



 Naquele quarto
os inanimados livros
quedam ante o manuseio esquecido.
Na sala você
exubera o ambiente
o seu farto decote
desliza ao som do afro mambo*
brinda & convida.                                                                   Chove pela manhã                                                                nuvens gris
céu carregado,
te perturbo
te         sujo
cochilamos...
Parto após o café. 
                                  *Roberto Fonseca
https://www.youtube.com/watch?v=rQIHLeMVz10

domingo, 23 de abril de 2017

Outras tantas palavras



Palavras circulam
labirintos inconfessos;
percorremos juntos
e você sabe a imensidão   
de cada uma delas,
eventualmente relembramos
as que foram deixadas soltas,
as insinuadas baixinho,
todas aquelas substituídas por gestos,
olhares e carinhos,
escondidas com magia,
as reveladas no escuro e no silêncio,
as que se perdiam no calar,
dos lábios esquivas ou saboreadas,
só nós sabemos o quilate 
e o brilho de cada uma
a poeticidade que colocamos
sílaba por sílaba,
foram inúmeras
as vezes que me senti perdido
diante os fragmentos caídos
de frases ocasionais,
outras tantas palavras
reverberam aqui dentro
à espera dos seus olhos que as escute  
e que sempre serão
para todo
somente suas.