sábado, 10 de novembro de 2012

Mentiras

Ela não me deixa mentir
Sozinho
Ela não me deixa
Mentir
Me deixa sozinho
Ela
Não deixa mentir
Deixa  
Sozinho não
Deixa me
Não.  
...
Ela
Deixa mentir
Não
Ela sozinho não me
Deixa.

No varal

De cor perdida
nada do que fôra  
puída  
ao avesso
pingando
quarando ao sol
já quase sombra
vara a noite  
até ser colhida
pela manhã.

domingo, 29 de julho de 2012

Sons

No terreiro o barulho do velotrol,
na tela o som de Nino,
e lá longe, no toca-disco o ruído de um
'trenzinho caipira'.

domingo, 8 de julho de 2012

Soltar-se

Deves soltar-se pra mim
                            comigo,
não precisas da permissão do seu orgulho, 
                                           do seu    pudor,
eu a permito,
permito-te arranhar as minhas costas
(e que seja pra valer), 
lamber-me da íris ao bálano,
enquanto forças houver,
encanto idem,
sem parcimônia,
sem   cerimônia...

Volta

sobre o vôo
             vou,
sóbrio
             volto,
só           e
             vencido.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Noir


una película noir
                     no ar
     acordes  cool
              vento outonal
   trilogia da tríade
                la belle           
          peito nu
                    tu à beijar-me
                    tarde chuvosa
              solitude solidão
ária de bach
                chamamento
                                  total transe
                 real absoluto
                        absorto em linhas desconexas
                        a  sorte em  imaginárias
                                             manhãs!  

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Encenar nosso texto


Sou volúvel &
supersticioso,
as artes cênicas
podem esperar,
podem ficar pra outra vez;
ante(s) as
peripécias das
pernas, as
palhaçadas em línguas, os
malabares 
mudos dos corpos nus, os 
muitos gozos circenses.
São as ‘peças’, 
as trapaças das 
mudanças cotidianas.
Brindemos Aura este
Imensurável e duradoiro desejo
e que estejamos livres
dos julgamentos (alheios ou não),
dos ciúmes, e
dos arrependimentos.




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Inábil para Absurdos


Não, eu jamais fiz isso.
Nunca torci contra,
Nunca desejei que
Não desse certo.
Nada de olho gordo,
Nem mau olhado,
Nada de praga.
Nenhum sortilégio,
Nenhuma reza,
Nada disso, nem
Mandinga,
Macumba ou
Despacho,
Descarte qualquer
Dessas
Possibilidades,
Sou inábil para absurdos.
Repito, jamais pensei nisso,
E nunca o farei.

domingo, 3 de junho de 2012

Labor


Árduo labor
           lida
ardente;
aprender à
esquecer
o que já perdi,
o que já não sou
para outrem/alguém/ninguém;
e trabalhar,
me preparar para
o que está preste.

QUEM?


QUEM É O QUÊ?
QUEM É     QUAIS?
QUAIS NÃO SÃO AQUILO?
                               AQUILO 
NÃO É QUEM?
             QUEM É PORCO?
                             PÉROLA
                          É
             QUEM?
QUANTO PERDE
QUANDO PÁRA?
                  PARAR COMO?
                  PERCO      ME!

Pós Poda


Pós poda
Verde diminuto
Verve         nula
Arvore
Ar    de      nua
Arvoredo  clama
Ar    de      chama
Ver     uma   rama
vi      ser    Planta
Vivaz
Viva!
Verde
      re
      des
  coberto.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Terra úmida


Fui deixado sem que
efetivamente &
afetivamente 
houvesse um começo.
Entre nós um amor galáctico,
ela disse que eu deveria amar
(ou foi admirar?)
mais os astros,
que de quando em vez
eu olhasse o céu noturno,
as constelações,
o cintilar de todo aquele infinito;
que eu desprendesse do umbilical,
do ventre que me amarrava às
coisas terrenas.
Aquilo estava ficando hermético demais,
então, do alto de minha ignorância e despojamento
fui pro quintal,
remexer a úmida terra, atrás de
minhocas, tanajuras e o
reluzente rasto da lesma.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Solicitações

                                                                                                Acordou,

‘pés no chão’,
pijama amarrotado;
do banheiro voltou com
cara de ‘panguá’,
o ‘dentifrício’ acabara.
Esfregou o ‘vitrô’
(movimentos circulares),
para desembaçar e pensou:
teremos mais um dia nublado,
com possibilidades de pancada
de chuva no final da tarde.
Enquanto a água fervia,
tentou filosofar sobre o que havia sonhado,
não era pra ele as teorias complicadas do
médico alemão.
Uma colher de nescafé e    
algumas gotas de adoçante;
sorvia seu café ralo de todo dia e
meditava sobre o quê poderia ser
feito naquela manhã,
toupeira como era titubeou,
lembrando depois das solicitações
que haviam para serem atendidas,
o quê deveria
devolver,
o quê deveria
abandonar,
o quê deveria
esquecer.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Baleiro


Com a mão esquerda
girou  o baleiro de vidro
tampas de plástico, coloridas;
tentou ocultar um
sentimento aflitivo, uma
aflição pungente, uma
comoção,
resquícios de infância,
algo à ser esquecido,
entanto sempre vinha perturbar-lhe;
do bolso da jaqueta xadrez
sacou algumas moedas,
então com destreza absoluta
 pegou balas soft 
com suas cores de predileção e um
chiclete ploc de tutti-frutti.  

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Destinos na tocaia

A desolação de estar no meio do nada,
de uma esperança esvaída na poeira,
na possibilidade tão árida quão o solo...
Uma mulher grávida,
sozinha num rincão do Brasil,
o martírio da solidão, do abandono.
Na chegada de um retirante às avessas,
um alento,
depois, é claro, 
da desconfiança natural do bicho.
O alento, no entanto, será
desfigurado amiúde,
no convívio sórdido entre humanos.
A força das interpretações,
a poética do arrebol,
o desprezo dos passantes,
o bebê e seu choro intérmino,
o desespero junto às mudanças sempre adiadas:
destinos na tocaia. 

Filme: Latitude Zero
Para aqueles que ainda insistem no não reconhecimento do multifacetado
Cinema Nacional, eis aí uma boa chance de rever (pre)conceitos.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Carne minha


minha carne me trai
                          traí a
minha carne
minha carne contrai
                          traíra essa
minha carne
minha carne distrai
                    distraída seja
minha carne
minha carne descontrai
                               traída vem
minha carne
           carne
minha          sem
           caráter .

domingo, 6 de maio de 2012

Ira de Mulher


Cafajeste!!
Canalha!!
Ela tinha um jeito rodriguiano de dizer,
e eu adorava aquilo,
era tudo encenação, mise-en-scène pura, teatralidade.
- eu falei minha filha, ‘batata’, é furada...
repetia com a voz esganiçada da mãe,
e eu lá, ‘bibelô’, me achando,
- um pinto, pinto todo homem tem...
e eu ainda pensei em dizer:
- duro é achar um com a minha desenvoltura,
gozar dentro e ainda te chupar;
mas, deixei pra lá, fingi ser Benson, tocando Take Five.
- você ainda vai se foder...
O velho tripé estava de volta:
reclamar, xingar e pôr defeito;
concordei mimicamente,
mas, bati três vezes na madeira,                                                                                                      disfunção erétil, isso não...
- gonorréia, ela gritou á plenos pulmões,
mais uma vez me desejando mal,
lembrei de,  O pulso do Titãs,
- tudo bem, tem cura, pensei.
Tentei ponderar, o quê me impele pro vício,
o quê me distancia da virtude, depois
concordei com as inúmeras vezes que ela disse:
Você não é romântico!
Adormeceu; pulsos cerrados, semblante amarrado,
e na baba muitas maldiçoes;
Tirei-lhe a calcinha e... eu sabia:
É TERRÍVEL A IRA DE UMA MULHER POR NÃO TER SIDO COMIDA!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Minhas Linhas


As minhas linhas
são  várias
e não são essas aí,
são tortas
e desalinhadas,
são retilíneas
e errôneas.
As minhas linhas
tem variantes,
falam por si mesmas,
retesadas &
quebradiças.
Não requer
seguidores,
dispensa
discípulos,
ignora
críticas e elogios.
São minhas
essas linhas,
bastardas, mas, se
bastam.

domingo, 8 de abril de 2012

Eterna noite

Mais uma vez o grande otário vagando à esmo,
noite escura, rua vazia, solitário noctâmbulo,
vomitando palavras desconexas, vagando com um sonâmbulo.
Caminho de ébrios, que no raso lembra a ti mesmo.

A mesma desgraçada rua.
Escuridão que ora aumenta, diminui;
e o sono que não vem, alegria que não possui,
mórbido dia, noite que deixa imersa a lua.

Grita, esmurra e diz não,
imorredouro martírio que acompanha a solidão,
monte negro qual um sepulcro

Aurora aproxima-se, nada difere da imensidão
negra da noite; não vou acompanhar esse coração
deixo pro meu corpo, digo, este vulto.

Tentativa de reescrever este, 20 anos depois, data provável 20. 02. 1992.

domingo, 25 de março de 2012

AV MEVSIMI


Não há mais palavras.

Nem canções.

Não mais outono nem verão.

O sol não tornará a se levantar sobre nós.

As estrelas não cintilarão.

Não há vento,

Não há neve,

Não sentiremos o cheiro do mar

Nem a chuva em nossa pele.

Pombos e azeitonas não existem mais.

Não há mais o gosto do figo

Nem o cheiro da canela.

Não há mais bem ou mal.

O amor acabou,

Assim como o ódio.

Não há mais sofrimento,

Nem mais provações.

Nossa ferida não sangra mais.

Não sentimos mais dores.

Estamos cobertos pelo branco.

Fomos deixados sem sombras.

Poema que fecha o ótimo filme turco

“Temporada de Caça”.

sábado, 24 de março de 2012

De onde nunca esteve

Assuma a parte infrutívera
da seca
parta de onde nunca esteve,
do sótão
do porão
desprenda,
fúria, sim,
pode ser ideal,
sem cerimônia,
golpe único como
Zaitochi,
o outono vem,
esperemos...

Unânime

Ah! minha querida,
não, não,
sem considerações gerais,
esquece o anjo pornográfico,
e diga-me:
o que no mundo (no seu)
ao seu redor
você elegeria
(com ou sem elegia)
uma unanimidade?
E não me venha com clichê...

Assuntar

E eu que não
'assunto'
que não tenho
assunto
não
assumo
nem
aprumo,
e, pensando bem,
sumo.

Piração


Era 4 da manhã

Ele olhou

Pela janela,

Pirilampos riam e

Distanciavam de um

Possível

Paraíso (Artificial).

Era 5 da manhã

Vislumbravam-se borboletas

Sobrevoando

Ratos multicoloridos.

6 da manhã

Pedaços de crina misturavam com

Penas de albatroz,

Uma tela de Goya era

Pisoteada por um

Bode de um corno só;

Estirado naquela pocilga,

Com uma lata amassada e suja ao seu lado

Sentia as gotas de sangue

Pingarem do teto,

E na parede uma frase de Céline.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Companhia

Tenho a companhia

Tranqüila de um

Pombo,

Plumagem negra

Passos lentos, tortos,

Curvado como um

Corvo,

Bica minha

Bota com intimidade e

Confiança,

Circula o

Recinto em

Reconhecimento,

Depois pára

Descansa da

Árdua jornada,

Asas em repouso.

Com a mesma

Calma da chegada

Trespassa a porta

Toma a liberdade em vôo.

domingo, 4 de março de 2012

Kevin


Kevin mirou,
certeiro e sem
compaixão,
altivo,
sangue e dor.
Palavras ficam
inativas,
e não sabemos
o que falar.
Entanto precisamos
tentar evitar o
inevitável.

Partes

Agora sou

Parte

Carne

Parte

Conveniência,

Ora

Cama carinho carícia

Ora

Carona cerveja cinema;

E de quando em quando

Acabo nas

Críticas (comodidade), no

Casamento

Nunca.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O bloco dos "JAMAIS"

Os blocos vêm descendo:

O ‘dá pra c...’

O ‘só pra f...’

Atropelam-nos

Afogamos

Enxurrada

Lama

Vômito

Lavagem,

& por fim

Coices

Para nos estigmatizar:

Vocês serão para sempre

O bloco dos “JAMAIS”.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Digo, Dito.

Um dito.

Para alguns,

‘O que não mata, engorda’.

Eu digo.

Para tantos (ninguém),

O que não deixa

Ferido de morte,

‘Amarga’,

Condiciona e/ou vira

Poesia.