domingo, 26 de junho de 2022

Com marcas de sangue

 

A tentação fácil no seu
olhar claro e penetrante 
 
adorno meus
          fetiches
      imolo suas
           imagens
             virtuais
                   seus
              nudes 
     suplico marcas
             com sangue
 
ela me ignora 
       me excita 
       me desgasta
nos esforços tântricos  
 
a persuasão demoníaca
que ela evoca
com indumentarias
que transtorna,
que povoa e
transubstancia
meu sono,
transforma em
pesadelo
acordo molhado
 
ela transgride
o que seria pleno
e orgástico 
 
divina/profana
 
me exclui
me subjuga
como uma sadÔ   
 
cuida-te, pois!
afasta-te,
eu perigo violento furor
a bondade passa ao largo
 
quero seu sangue misturado
com meu sêmen
seu formoso deleite na
minha saliva
 
seu êxtase dando
cãibras e pausas 
 
seu/meu
nossos prazeres reinando...


segunda-feira, 20 de junho de 2022

Mais eu mesmo, do que sou agora

 mais eu mesmo
do que sou agora
 
muito menos
do que eu deveria
 
mesmo eu
de tudo que não sou
 
menos do mim
que fui antes
 
do que fui antes
o desvio inevitável do caminho certo
 
as decisões que outrem tomaram
e o fulminante impacto em mim
 
findas, bondade e paciência
sou mais ou menos eu­­!
 
tudo fora do lugar
o todo perdido no tempo
 
ao mesmo tempo
longe, mas reativo na memória 
 
buscar a ruptura
que pra * já virou universo paralelo
 
agora, menos eu mesmo
do que fui outrora...

domingo, 5 de junho de 2022

Distante o suficiente para não odiar

a bifurcação dizia:  
um só caminho 
erre novamente. 
 
distância (in)suficiente
o ódio pinga 
a conta-gotas. 
 
cuidado: mata-burro
mas não volte  
reside lá a indiferença. 
  
adagas lançadas 
sangrar o cordão umbilical  
vedar o olhar do desprezo. 
 
odiar o suficiente e 
lidar com a fúria alheia 
sair sem dimensionar o vão.