domingo, 25 de fevereiro de 2018

A fidelidade



A fidelidade é para os fortes
           é para os felinos
a fidelidade é para os que estão
sozinhos
            é para os que não
tem coragem
             para os que transitam
fantasiados
             para os que usam
máscaras momescas
a fidelidade é para
os que se escondem
nas sombras,
nas sombras dos que brilham
a fidelidade é para
os que discordam
os         discretos
os         detestáveis
a fidelidade é para
os que não se assumem
               é para
os que representam
a fidelidade não é para
os banidos.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Um filme e um 'disco' para o final de semana

Filme: "A pedra de paciência"
País: Afeganistão
Ano: 2014
Diretor: Atiq Rahimi
Com: Golshifteh Farahani

Disco: "Lucas"
"Marco Antônio Araújo"
Ano: 1984
Música Instrumental Brasileira.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

À luz da psiquiatria





Tentei à luz
da psiquiatria
entender
o quê fiz no
último dilúvio 

por que fiz aquilo no
último entardecer

como fiz tudo aquilo no
último desespero 

como fui capaz de tudo isso no
meu último surto

todo aquele vexame diante
a alcateia pronta para o revide   

como pude ser incapaz de seguir
o cortejo do desbunde,
e ficar bocejando enquanto chovia

como eu pude não fazer nada daquilo
que parecia tão óbvio
e ainda crer no desgastante evoluir

à luz 
da psiquiatria
nada entendi,
e a corriqueira felicidade
permanecerá banida
do manejo fácil.


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Novo livro

Feitos, desfeitos, construídos e desconstruídos,
é a vez dos concretos.
 https://www.clubedeautores.com.br/book/248155--Concretos_Cripticos?topic=literaturanacional#.Wnc5i-jwaUl

O inevitável macerar


Não há estranheza
alguma aí,
é o curso natural
do desvio,
é o inevitável
macerar dos
destinos, da
liberdade, da
esperança,
não, não sorria,
não espere pela
saudável prole...

A longevidade é uma utopia,
e um possível legado fica aos
cuidados do enxofre.  

Eu deveria


Eu poderia ter evitado
os ditados,
as frases feitas,
os rótulos,
todas as baboseiras
proferidas com aquele
pseudo glamour...

Eu poderia ter ficado
calado,
ter desprezado
os impopulares,
os populistas,
todos os discursos
de melhorias,
de saídas fáceis...

Eu deveria ter ficado
incólume
olhando pela janela
a neblina se dissipar,
ouvindo ‘forget full’
enquanto o café esfria...

Eu deveria
mas, não vou te esquecer.

Não adianta


Não adianta me
impugnar,
eu não preciso
de sua
anuência,
as antíteses já
dizem o quase
o insuficiente,
ademais,
tudo permanecerá
sem delongas,
sem lenitivos, 
sem mas,
tampouco mais,
tudo será
“num pano rápido”,
“num resumo de prosa”.

Não adianta
estamos à beira
de nós mesmos,
e nem tente,
a erupção
já começou...  

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Livro


 
https://www.clubedeautores.com.br/book/240265--Designificados?topic=poesia#.WnOxKojwaUk
Seis mercenários tentando lapidar as palavras com
serrotes, facas, foices, ferraduras, lentes e até canetas,
e não conseguindo evitar os seus erros,
o burilar dos versos (em traços tortos) terminou em
estilhaços no vácuo destas poucas páginas,
agora vagam nas minucias do quê ficou por ser dito,
deslizam pelas ruelas do tempo esvaído.