domingo, 30 de dezembro de 2018

Te encontro!


         te encontro no...
        te encontro em...
      te encontro onde...
    te encontro entre...
   te encontro depois...
te encontro através...
                              ...no intervalo te perco!
                              ...em pedaços te deixo!
                              ...onde escondes te espio!
                              ...entre sustos te revelo!
                              ...depois do caos te imagino!
                              ... através do vão te busco!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Tentando decifrar


Passei uma noite
inteira tentando
decifrar,
perdi uma noite
toda com
seus rabiscos
umas mandalas  
ideogramas rasurados
alguns signos
outros sinais rabiscados...
que idiota
que tolo fui,
deixei de ir fotografar
no semáforo
o intrépido ambulante,
mas, uma miragem
sempre se transforma,
o clarão nos cega
ou nos desperta ,
e cá entre os despojos
vamos deixar
os mistérios pro
sr. Poe  
no recanto das coisas
insignificantes e da
pequenez sempre
cabe um outro,
ah esqueçamos
nada queriam dizer mesmo
importância nenhuma tinham
absolutamente
ademais,
pouco importa 
se não gostam de
cool jazz ou sátántangó,
eu até prefiro
fiquemos em margens opostas,
toda aquela adrenalina
que você insinua possuir
e te credita para muitas asneiras,
com algumas cervejas baratas
ficarei despretensiosamente
assistindo um doc. onde
as mamães felinas carregam seus
filhotes pelo cangote. 


domingo, 2 de dezembro de 2018

(des)acordado


comumente
acordado estarei
olhando pra onde
você mira
e vendo
diferentemente 
o quê imaginas
codificar
e o firmamento
sempre modifica...

desacordado
porém 
o pesadelo
contigo será!

domingo, 11 de novembro de 2018

Possibilidades

Não venham 
retirar de mim
todas as possibilidades
de angústia
de vertigem
de solitude

todas as impossibilidades
de sucesso
de felicidade
de amadurecimento

nem venham
cercear as minhas
ilegítimas expressões  
ilegais condutas
ilibados cochos

nada de anuência
para comigo
minha pessoa
posso causar mal
muito
irrestrito e irreversível
mal
a mim
e outros
e ninguém...

é certo, vou passar da
barbárie a decadência 
sem conhecer a civilização*... 
   

domingo, 4 de novembro de 2018

Superficiais em nossas profundezas


Não passarei dos seus limites
dos meus limites passarás,
nos nossos pontos limítrofes
contidos estaremos,
irregulares limites
ultrapassaremos
sempre em nossa própria direção,
ilhados no farol que não ilumina 
luz nenhuma refletida, invertida,
sempre à margem, rasa,
de um lado oposto, suposto,
superficiais em nossas profundezas
estamos
observando o cata-vento
de giro contrário 
parados ponteiros,
os intransponíveis limites  
que involuntariamente criamos,
passo dos seus limites
e espero
não se limite,
mesmo que volta
não tenha.

domingo, 28 de outubro de 2018

Noite


                eu apaguei a noite
  ela apagou aquela noite
          eu apaguei na noite   
      ela apaga minha noite
   eu quis apagar sua noite
              ela apagou noite adentro
            eu apago na noite através                                                        na noite apagamos depois...
         

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Tentando


Venho tentando manter
a atenção
o foco
a sutileza
dos detalhes,
tentando
o equilíbrio 
um certo entendimento
vago e disperso
perto do que
não se distingue,
venho tentando
mas é complexo
e diverge
e distancia,
os pros e
os contras
nos seus reclames,
eu clamo
o meu direito
o direito de um qualquer,
reclamo
meu direito a dúvida
ao espanto
e ao erro
que nunca se sabe
e que doravante
se perca
mude
e volte sóbrio
para admitir
enganos possíveis.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Importante


É importante dizer,
creio que é bom salientar
que o seu otimismo,
para a questão posta
mudará tão, nada ou menos
a situação caótica
que o meu pessimismo apregoa;
e nem cabe aqui elogiar
os insultos, a desavença
dos correligionários
(meros otários),
fico aqui em toda minha inércia
e distância, navegando na improdutividade...
e você(?)
bem,você deve sorrir muito 
e postar como se fosse,
como se estivesse amando
e sendo amada
na iminência da erupção,
repito: é importante que você
esteja sorrindo, close
para mostrar
o prêmio
o nobel
o passaporte
as coroas suecas...
e eu(?)
merda, vou ali atazanar
um pseudo amigo para que me empreste
a Rupi Kaur e aquele cd de jazz étnico,
lamento,
mas, não vai dar pra ‘curtir’ nada
além das ‘aleluias’ na lâmpada do poste. 

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Você se ateve


É porque você 
se ateve
somente
ao todo,
menosprezando
os pormenores,
pra tudo você
tem que achar
uma justificativa
plausível;
vamos deixar
que descambe
deslizar ladeiras
ignorar esquinas 
destrambelhar
as verdades insolúveis,
insisto:
de quando em quando,
destranque  
o ignóbil que te flerta
o óbvio que brilha e cega
a treva que silencia
aprofunde-se
atreva-se!

domingo, 9 de setembro de 2018

Impropérios


 impropérios
      injúrias
 vociferações
          vozes
              escorrem
                      em
                desperdícios,
     naqueles pequeninos
                        mudos
                   e imundos  
                      mundos 
                 subvertidos,
                    paralelos... 
      no labirinto ainda 
                resta uma escapatória
alegrem-se!

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Desencantamento

vinde e
sê a
lírica
divisa
entre a
dúvida a 
súplica o
onírico, eu
cri no
desencantamento!

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Foi dito que

  foi dito que não
            que nada
      dito que nunca
  foi dito que never
                necas
           que nenhum
     dito que nenhuma
foi dito que não    mais.

domingo, 19 de agosto de 2018

Haikais

no aquário todo bordô nada
e pelo chão 
alonga uma gatinha. 

                      na imóvel tarde
                      o sol brinca 
                      de se (ex)por.  

na mesa veludo
um copo meio 
transborda a solidão. 

O prático das inabilidades


         eu me prestei
ao que não presta
                premente perto
                presente desvalido 
          um pseudo probo
           no prostibulo
               procurei erros certos
               provoquei desacertos
       eu, o prático das inabilidades
              pratico dubiedades.                                                                                                                                       

domingo, 12 de agosto de 2018

A culpa é do afã


a culpa é do afã  
que me tripudia  
a culpa é da  
e  seus desalinhos
a culpa é da  
que não pulou
a culpa é do 
e seu desafinado sopro
a culpa é do afã
que me desafia
...e sempre me sugere o pior.

domingo, 5 de agosto de 2018

Pra ti dar


Pra ti dar
arrepios
arrebates
arrependimentos

pra ti provocar
desenvolturas
desequilíbrios
 esquecimentos

pra ti provocar
revoltas
revoluções
revisões  

pra ti dar
convulsões
contrastes
contaminações  

...e eu estarei pronto para riscas o fósforo. 
  

domingo, 22 de julho de 2018

Desmoronando tudo


Todos foram decapitados
os paxás
os pajens
os pajés
os padres
os pastores
os párias...

todas foram estripadas
as putas
as panteístas
as pansexuais
as parasitas
as passionais
as pretendentes

tudo foi desmoronado
o perto
o preste
o partido
o parido
o previsto
o precavido

... e fodas pro
poe            pro
pessoa      pro
paulo        pro
pasolini    pro
paul          pra
poesia...

...cá embaixo é muito pior,
ninguém vai se importar
com a sua anunciada queda,
e permanência por lá,
nenhuma mão amiga,
esqueça...

domingo, 15 de julho de 2018

Eu preciso


Eu preciso
expor o que
me aflige  
eu preciso
impor o que
insurge
eu preciso
depor o que
me retarda
eu preciso
transpor o que
resvala...
eu preciso
rever o impreciso
  ver o improvável  
 e ser  imponderável.

O sujeitinho


de blasfêmias
em súplicas
o sujeitinho
depena as
alegorias
que estavam
esperançosamente
penduradas no varal
de nuvens...

de lamúrias
em júbilos
o sujeitinho
desmantela
o quê poderia
o quê talvez
mas, que não
     que nunca
será!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O contrário


pensei que eu poderia dizer o contrário
                                                    o contrário do que pensei
                que pensando diria o contrário
                                    podendo o contrário mudar o que eu dizia
                                                     o contrário mudando o pensar
       poderia dizer que pensei o contrário
                                                     o contrário do que poderia
                       não puder dizer o contrário
                                            nem o contrário que pensei
               dizendo o que penso o contrário eu posso
                            o que poderia o contrário dizer?
                                   posso com o contrário pensar
                                                       o contrário que o diga!


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Assustado

Estou assustado,
devastadamente  
assustado 
mas, não importa
aliás, pouco importa
quando é apenas um segredo,
um pequenino e antiquado segredo
de infância que retorna sorrateiramente.
Nunca haverá
reconhecimento
para o desespero
para o desajuste
para o descontrole
para o medo do nada
        o medo do vazio,
nunca serei felicitado
por isso...
Assustado,
peço-te, mantenha o segredo,
mantenha-o na gélida sombra,
porque eu sei
creio ainda,
ninguém dá medalhas
por este tipo de
bravura.   


domingo, 20 de maio de 2018

Fogo-fátuo


Todos os relatórios
foram engavetados,
o dia amanheceu chuvoso
e os excêntricos transeuntes,
os esdrúxulos passantes
não se importaram com os
meus rascunhos,
as minhas anotações serão
devidamente ignoradas,
meu fogo-fátuo,
as oportunas reuniões dirão
um pouco menos do que costume
e os que sempre se mantiveram 
à espreita, lá estarão, 
imponentes  e risonhos,
o soberbo deboche,
a debandada da triunfante imbecilidade,
nenhuma planilha vai conseguir a ordem,
nada de pauta pra lado algum,
meteoros seria rápido demais,
merecemos a sublime degradação,
a corrosão inevitável dos idiotas...

Vou me opor,
me manter perto da erupção,
não me interessa ver o desmanche da
(in)sanidade.     

domingo, 29 de abril de 2018

10 Anos!


Nesta semana (mais precisamente na quinta dia 26) completou 10 anos deste blog,
cacos que criados foram com o intuito de cortantes serem, entanto...
tem sempre um “mas”, o corte sempre cega antes de nos darmos conta, 
o tempo  nos prega peças tragicômicas, e os palhaços, os bobos da corte ficam assim,
achando que por ventura , acaso, poderiam influenciar na decadente marcha para o báratro,
o desfiladeiro logo ali, o lamaçal, o pântano e nem se dão ao trabalho do desvio,
é seguir correnteza à baixo, manada rumo ao nada...
Não, não, nada de reclames à título de poesias não lidas, vamos deixar as “curtidas”
para o instagram, as sorridentes fotos para o facebook...
Limar os gumes e novos cortes trazer, poeticamente ou não,  cacos que relutam, que reluzem
nos estribilhos, nos desvãos de cada linha, cada trapézio, que balança,
cada frustrante tentativa... mas é isso, transpirar cada furtiva inspiração
e trabalhar na tênue linha do erro.
Obrigado à todos, e mais dez anos de labuta poética!  

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Ser ou sentir?

                                               sinto muito     
                  sinto-me mal
            me sinto mau
          péssimo sinto-me
          mal me sinto
               me sinto  longe
              sinto aonde  
                   sinto pouco 
          sem ser sinto  
                   sinto sem saber
            ser ou sentir?