
No pálacio
enquanto larvas
poéticas são
expelidas &
inundam ouvidos
um olhar
capta
inebriado
desfalecer.
Néctar ausente
nas palavras,
todavia abundante
nos beijos &
na morte
do pássaro.
CERRAM-SE AS PÁLPEBRAS
CANSADAS E ÚMIDAS.
ENCERRA-SE A NOITE.
‘DESANOITECE’!
O VÔO CICERONE LHE MOSTRARÁ
[A AURORA.
NENHUM ESPECTRO RONDARÁ MAIS EM
[TEU SONO.
II
VER-TE-EI SORRINDO
SÓ EM LEMBRANÇAS?
VER-ME-ÃO POR OUTRAS PLAGAS.
EXÍLIO!
O CEGO VIRTUOSE NÃO TOCARÁ MAIS
[ACALANTOS.
NEM TAMPOUCO OUVIRÁS OS SONS DO
[OUTONO.
III
GRANDE TARDE SENSABOR
DE MÃOS A SANGRAR.
SOB O EFEITO IPNÓTICO; SILENCIO.
DESALENTO!
NO AFÃ DE FUGIR DOS DEVANEIOS DO CORAÇÃO,
[SOFRO.
AGORA SIGO, QUAL ERMO CAVALEIRO, NO AMARGOR
[DE SUA AUSÊNCIA.
Março 1996
Para o ralo
Tudo que disse.
Para o esgoto
Tudo que fizeste.
Para o inferno
Suas pequenas frases,
Chatas, de duplo sentido.
Sem sentido.
Para as profundas
Com sua capacidade
(desprezivelmente escondida)
De ofender/magoar.
Para os quintos
Todos os seus garranchos.
Para o mesmo
O uso que fazes
Das palavras,
Elas não diferem em nada
Do arroto dos medíocres.
Para os brejos
Este reles conhecer,
Que não passa de
Entretenimento inútil.
Para os pântanos
A falsa bondade.
Para as trevas
Suas explicações,
Suas desculpas.
Para as trevas
O quê pensa das pessoas,
O quê pensa que sois.
Para a fossa
Suas combinações
(imperfeitas)
Doce seco vísceras.
Pára, você não é
Nada daquilo.
Pára, você não é
Diferente.
Você não é nada.
Ninguém precisa de você.