o quê eu denomino
domino?
quem eu demonizo
dogmatizo?
quem dera domesticar
doutrinar?
quero doravante
a distância...
é
diferente
pra você?
não, sei bem,
você é
indiferente;
o quê
difere
é você
não os
outros...
pra mim
tanto faz a chuva que assola
tanto faz que nos arrabaldes
caia raios
pra mim tanto
faz o chuvisco que viola
tanto faz que nos arredores
saia ratos
pra mim tanto
faz se o pedido for solene
tanto faz a despedida sem
parecer ser
pra mim
tanto faz se o pior for pra dois
tanto faz o desprezo ser o de
fato é
pra mim
tanto faz o estrondo ser a causa do seu despertar
tanto faz ter que ignorar
ruídos seus
pra mim
tanto faz o silêncio ser o seu comunicar
tanto faz ter que isolar a
claridade solar
pra mim
tanto faz o modo genuíno de sobressair
tanto faz ser e não constar
como
pra mim
tanto faz o legítimo e iminente destruir
tanto faz ser e em vão tentar o
oposto.
‘pra
mim tanto faz a névoa úmida’ M. Tsvetáieva
o seu
silêncio
é
elouqüente
é um
estrondo
é
esdrúxulo
o seu
silêncio
sabe me
espezinhar
ele sabe destilar
escárnio
enfadar meu
êxtase
o seu
silêncio
evoca o fastio
enluta o quê poderia
enleva o quê não mais
enternece o quê supus
o seu
silêncio
esculhamba minhas tentativas
minhas tentações
o seu
silêncio
emparedou meu
espectro e
este (por sua vez)
estarrecido foi
extirpado de forma
encantadora.