quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Recusa


                          Ao Som de Hotei Tomoyasu.
                                                                                   Para Quentin T.

Ele. Sorrindo e tentando fazer ar de sarcasmo.
--- Ela certamente sabe que eu já sei,
quer mesmo é ouvir aquele possível convite,
para ter o indefectível prazer de recusá-lo (ignorar)
desconversando ou com o seu sofisticado silêncio,
quase um desprezo.
Ele. Desfaz o idiota sorriso vai até cozinha e pega:
pipoca c/ molho de pimenta & suco de abacaxi c/ hortelã.
Tela do computador.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conto: Fotografias.


Havia nela uma peculiaridade que me escapava,
Tirou o Ray ban de grau e veio em minha direção.
---Você gosta de fotografia? Indagou. 
Com um aceno respondi que sim.
--- Gostaria de ver algumas que tirei?
Outro aceno afirmativo.
--- Acho que tenho um vinho em casa, vamos?
Gostei daquele modo direto de abordagem, e eu não seria tão otário
Quanto pareço de recusar tal convite.
R. tinha uma voz doce, olhar afável e gesto minucioso;
Mas, o que mais me encantou foram os seios, grandes e firmes,
E uma cintura de causar inveja nas outras mulheres.
No apartamento havia pouca mobília, entanto tudo parecia estar
No seu devido lugar.
Ela falou que precisava ir ao banheiro, se eu poderia abrir o vinho.
--- O saca-rolha está na segunda gaveta- gritou, já com a porta fechada.
No percurso até a cozinha perscrutar fazia-se, alguns livros de
Poesia e de literatura estrangeira, muitos filmes,
Noite N° 1, título interessante para um filme, um cd de Chet Baker;
Mas o meu interesse naquele momento não era sétima arte,
Tampouco letras impressas ou jazz.
Saquei a rolha, servi duas taças; sorte minha, era demi-seco, esperei.
R. saiu com uma bela camisa de seda branca e cinta-liga preta na perna esquerda,
Deslumbrante visão:
--- Merda a outra desfiou! – como se eu fosse me importar.
Ela pegou sua taça e propôs um brinde:
--- Aos que estão no lugar certo na hora exata do click.
­­­­--- Saúde - disse fingindo entender.
--- Fique à vontade, livre-se dessas roupas.
Obedeci.
R. colocou um blues-rock e veio dançando,
---- Adoro cheiros, aromas, olores – disse entre minhas pernas.
Deu uma longa ‘cafungada’ no meu púbis, digo, entre o umbigo e o pênis, disse:
--- Quero você!  
Delírio, um lento e molhado oral, olhava pra cima e sorria com meu êxtase.
Depois cavalgou, que destreza, ora rápido, ora mais lento;
Foi transfigurando-se, então aproximando aqueles lindos seios me pediu
Que mordesse seus mamilos e que enfiasse o dedo em seu rabo (com o qual eu já brincava), ela ia gozar:
--- Vou gozar, to gozando... disse entre soluços.
Foi como se ela tivesse tomado um poderoso calmante, adormeceu e nem viu
Minha explosão, espalhei como se creme fosse e também adormeci.
O sol já ia alto, levantei, me vesti e ‘dei linha’, pensei:
--- Aquelas fotos ficarão pra outro dia.
Num pedaço de papel escrevi o número do meu telefone, e-mail e uma frase do
Efraim M. Reyes:
“Antes que a noite inverta seus desdéns, cante a sua fuga”.  
Desci a ladeira pensando em cerveja gelada, peixe frito e alcaparras com pimenta biquinho.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Depois da chuva


Choveu.
Um desconhecido pula uma poça d’água.
Observo-o sem emotividade.
Reparo no ângulo,
céu nublado ao fundo.
Desconstrutiva paisagem, ruínas.
Penso, porém sem muita reflexão,
- não é hora para inútil perplexidade- 
mesmo se eu tivesse naquele instante
uma moderna digital,  
não chegaria nem perto
da sublimidade de Bresson.
Captar com perfeição requer:
Estar lá no momento preciso, sorte & 
talento.

Sabedor


                                   sabe?!
 não quero que você saiba
                                   sabia que não
                        sendo sábia que sois 
                                   saberás entender.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Poema: Tirinhas


Coisas que detesto:
Frase de ex namorado (a):
- Quero que você seja feliz!

Pedido entusiasmado, mas com ressalva:
-... Mas só se você puder né!

Uma que adoro:
Ficar contando as atarefadas formigas
Em suas insuspeitadas lidas.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Estúpido Estio


_................................................................
Que lúdico!
Bela frase para se ouvir
numa chuvosa manhã de quinta-feira.
Lúdico que não ilude,
não mais.
Minha ida nunca se fez necessária;
minha presença, nenhuma diferença faria.
Minha falta sempre foi
Pretexto para mentiras;
a (improvável) saudade continua sendo.
Fora estúpido estio! 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Agarrando


Agarrei:
pelos gumes, facas que caiam,
adagas  atiradas com fulgor/furor

pela crina, ecos de relinchos
de um cio transcendente

pelo anzol, línguas escaldantes,
riso raso, silencioso murmúrio

pelas rabiolas, luzir de pirilampos,  fagulhas
nos densos nevoeiros noturnos

pelos grelos, gritos de súcubos 
que ventilavam estribilhos, que dilatavam glandes

pelas tíbias, a veloz e fugaz
erupção que desprendia, que fervia

pelos lóbulos,  as fugidias memórias,
o esquecimento marmóreo & férreo. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Num domingo desses...


Depois do ‘rega bofe’
                 o ‘rala bucho’;
ele imaginava/fantasiava
enquanto descascava
alguns dentes de alho,
e ela lá,
toda serelepe,
insinuante decote
à rasgar taioba.