terça-feira, 16 de abril de 2013

Mais adiante

Pronto.
O caso é esse.
Fica assim.
Combinado.
Você pra lá,
tipo, perto da Sibéria.
E eu?
Mais pra lá ainda,
digamos:
duas Babilônias adiante.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O quê não luz mais



Meu candeeiro não ilumina mais
No escuro tateio.
Feneceu a lamparina lá do canto
Perco vestígios em meio ao cheiro de querosene.
Imponente farol de giro desfeito
A nau naufraga erma na costa oposta.
Luzeiro fui, minha queda foi saudada com
Iluminuras, fogos e artifícios.
As luminárias pariam aberrações nas paredes descascadas
Imóvel, contemplo-as.
Tornassol, ressequidos somos
Portanto, não te acompanho mais.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Fogo Fátuo



fogo fátuo
     fato o
fogo extingüe
     estilingüe novas
direções e distâncias
mira  e venta
        ventas
outros  ventos  
outros  afagos
        afã    que
arde     faca  que
 drena
         força que
      expele   cortes
      expostos que
          sangram
descuidados esquecimentos
despreocupadas rotas alteradas.
  

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dias Cegos



Uns dias.
Nestes dias.
Estive a odiar a tal
‘perspectiva de vida’,
Toda a merda de futuro promissor,
A lenga lenga de comprometimento,
Amadurecimento ou coisa que o valha.
Estive fora e presenciei
A irrestrita dominação dos cretinos,
Um nojo...
Estive recluso.
Vácuo. Darkness.
Cogitei fortemente a possibilidade
Insana de certos atos (reações impulsivas?);
Sangue e escuridão.
Édipo sabedor.
Shyriu frente Argos de Perseu.
Fúria e coices no estábulo de Equus.
Estive por aí.
Me odiei nestes dias,
Te odiei uns dias,
Eu jurei te esquecer. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Nenhum(a)


Nenhum êxodo para acompanhar
Nenhuma cruzada
Nenhum éden/inferno
Nenhuma fuga de clausura
Nenhum horizonte perdido
Nenhuma diáspora
Nenhum mar para atravessar
Nenhuma marcha de retirantes
Nenhum sul/norte
Nenhuma travessia
Nenhum perdão
Nenhuma procissão
Nenhum podium
Nenhuma manifestação
Nenhum conclave
Nenhuma eleição
Nada a não ser a profundidade rasa  
Do avesso propósito.    

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Indo Embora


Minha querida, pra que isso?
Não tente dar demasiada importância
ao que já não tem nenhuma mais.
Vazio escuro e profundo
entre o firmamento e o que
achávamos que era,
que poderíamos ser.
Volte lá pra dentro,
coloque aquela música que
agrada à quase todos
(da qual não compartilho),
apresente o apetitoso prato
advindo da sua nova receita
adquirida na rede social.
E, claro, sorria, sorria muito e
pareça feliz.
Aqui me despeço,
o Anticristo e a Melancolia
esperam-me. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Recordações


Sentimento insepulto.
Resolvi.
Nada farei para desvencilhar-me.
Prematura morte, não, no more.
Deixo à mercê do rei tempo.
É inconteste a supremacia das
Boas recordações.
Não é um corpo vegetativo,
Não suplica eutanásia.
É vivaz,
Faz lágrimas,
Faz sorrisos,
Faz ereções.
Portanto
Por      terra
            todos os
lamentos e reclames
e o quê poderia ter sido.
Ledo engano, que outro leito,
Outro ventilador traria o
‘delete’ de memórias.  
Destituo-te então, esquecimento!
São minhas as lembranças,
São elas vívidas e tórridas.
Permaneces, pois, comigo,
Até quando for... 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Hediondo


É hediondo.
Me aniquilei, cintilava uma
Luz crepuscular.
Não tentarei explicar
O que significa pra mim
Não conseguir esquecer o
Cheiro do seu mênstruo,
O que é ter sempre
Sobreposta a todas as outras lembranças
O seu inflado lábio inferior
Enquanto você dormia.
É hediondo.
Me extirpei com maciça
exuberância,   
com a mão esquerda dispus
incertezas, e fracassei com revoltos
assombros que me causavam suas cicatrizes, 
sucumbi em meio as 
falanges debandando as cores
vibrantes dos seus hematomas.  
É hediondo.
Me furtei defronte os
Desfiles de destilados desdéns & deboches,
São outros os deslumbres para os
Vôos de seu macio ventre.
Cicuta e ‘ardenteágua’,
Serpentes e víboras murmuram, estrilam
Perante o feito, o desfeito.