palhaço você sorri
cai o pano
ninguém aplaudi
que palhaçada
você regozija
com a minha desgraça
fui um palhaço
cri que você
poderia retribuir gentileza
palhaço você sorri
cai o pano
ninguém aplaudi
que palhaçada
você regozija
com a minha desgraça
fui um palhaço
cri que você
poderia retribuir gentileza
revele-se,
pro quando ser
pro pretérito imperfeito
revelo-me, pro oportuno
pro obstante
revele-se,
para além de sua distopia imaginária
para além de sua frágil substância
revelo-me,
aquém do julgo alheio
aquém do figurado discurso
revele-se,
no seu iluminismo de lamparina
no seu altruísmo capenga
revelo-me,
no meu evolucionismo retroativo
no meu infantilismo
provocador
revele-se,
nas flores carnívoras
no seu olhar de espinhos
revelo-me,
nas agruras eclipsadas do quê poderia
no oco do mim.
Andei
pensando naquelas premissas,
todas
aquelas iniciativas
pra
começo
no
começar
só
pra dar a base da ideia
foi
tudo parar
no
desvão
no vazio
no vácuo
eu
bem sei,
nada
revoluciona
sim
tão fácil
não
é assim, agora
vou colocar na partitura
o
‘credo’ para minha ‘missa solemnis’
agora
vou pintar
o
teto de uma capela
agora
vou criar
um
novo alienígena
agora
vou interpretar
um
último tango
agora
vou escrever
crimes
e castigos
meu
‘brado’
me
distancia
do
destilado ódio,
me
mantém
num
limbo, longe
da
erupção programada
perto
do ‘ainda’
indecifrado
do
sorriso
fácil
& falso
ando
pensando em algumas premissas
e
nos melhoramentos resultantes
à
quem beneficiaria?
aos
que negam
aos
que questionam
aos
que duvidam
aos
que esquecem
os
céticos, suponho
por
pura omissão
perco
a digníssima chance
de
romper a bolha
por
inanição
não
vejo o farol
que
ilumina
as
virtudes e a ética
assim
eu teria
um
pouco de verniz
um
feixe de luz
mas,
não
nada,
volto
para
o trivial
para
a insensatez
que
recusa dizer
de
onde
pra
onde
o
seu nome.
Acabei de dizer
com todas as
minúcias cabíveis,
com os pormenores
adicionais,
não tente por em xeque
a minha resiliência,
pra mim,
nunca foi problema,
o silêncio,
dominar a euforia,
não me abate a sua
nevasca com sorvete,
a sua intenção
de por abaixo o sol,
de manter no subsolo
o prazer e o contentamento,
nem adianta decretar:
fique em casa
lockdown
toque de recolher,
o “joker”agora
não sorri ‘pra você’
nem ‘de você’,
não vou mais salientar
as minhas premissas,
não vou mais soletrar
promessas,
estou pensando
em acabar com a falácia,
com o fingimento,
acabar comigo,
acabar contigo...
tarde demais,
você já acabou com tudo.
isto é só
um
aviso
uma
mensagem
um
conselho
uma
dica
um
toque
uma
informação
é
só
um
detalhe
uma
advertência
um
recado
uma
chamada
um
sinal
uma
anunciação
um
comunicado
uma
exortação
não
se engane, é
dias atrás estive
febril,
dias traz a tormenta
que a priori parecia
improvável,
dias exagerado
no polido
no efêmero,
dias exacerbado
no transitório
no mutante,
dias pra dar
como finda
a indagação flutuante,
dias pra dar
como encerrado
o subentendido
as virtudes fluídas,
dias que parece
haraquiri
anunciado em braile,
dias que parece
assaz indissolúvel
entanto, dissipa
com um sopro,
dias que insinua
boas novas
pero, recria o velho
mal humor,
dias que impele
para a indiferença
para o descaso
dias que descamba
pro mesmo
pro previsto,
dias que recebe
mas que repele
que distancia,
dias, guardadas as
devidas correlações
banha e compassa
o término.