domingo, 12 de abril de 2020

Chegamos ao f...

Eu estiver preste a matá-la
se o olhar...
eu desejei trucidar
toda aquela indiferença
e descaso,
sim, eu quis arrancar-lhe
o fígado e sorver ali mesmo
com o sangue escorrendo
pelo meu antebraço,
pensei sério em chibatadas,
sangue, sal e vinagre,
aquilo acalmaria meus nervos,
não tendo a precisão cirúrgica
do doutor Lecter, eu te causaria muita dor,
despreocupado eu encheria minha taça
com mais vinho seco,
estive perto à dar cabo ao desamor
que nos ronda,
que me desorienta
que te desobriga...
você suspira com desprezo
e eu vocifero raivoso,
isso não vai dar em coisa boa...
vamos pro terraço, sentemos no beiral,
é aqui que detonaremos o quê
nunca foi de fato,
foda-se,
lá embaixo seremos apenas
dois desconhecidos,
cada qual com seu karma... 

domingo, 5 de abril de 2020

Andrés de Fonollosa

O que pesa mais, o amor ou a morte?
A vida pesa mais...
A morte pode ser a melhor oportunidade da sua vida!
 

Ramos incautos


estão cravadas  
      as cruzes
e eu desobedeço
    os clamores, fiquem em...
            amores
    eu deixo
          de quarentena...
saio, incauto
            cato
nas desertas ruelas
  os bravos ramos
que irrompem 
que    morrem,
entanto, são os belos
                       os imprudentes
 que reinventam
                       o sofrer
                       o prazer
...e que serão lembrados.

quinta-feira, 26 de março de 2020

No transitório


Pulamos o organograma,
a planilha ignoramos,
na cama um vácuo
que nos suga ou expele,
a mesa reduzida continua
tóxica e morticida,
a capela dos normandos vai esperar,
arriverdeci Palermo...
Algo além do que vemos,  
longe do provável,
antes do previsto,
certo é,
um vórtice nos abateu,
sustando palavras, sons, desejos,
acontecimentos;
mesmo assim uma(aparente)calmaria se faz,
ali na espreita, no solar o romper disfarça
olhando de esguelha
tentando esconder sua sombra;
peco, e pelos caminhos os infectos borram  
os pergaminhos, 
e ignaro que sou, acabei desviando
do que queria(deveria)dissertar,
entanto há diferentes alentos,
ainda creio em forças
e no transitório.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Perguntas irrelevantes

Qual foi o dia em que você descobriu
que não conseguiria mais parar o processo natural,
irreversível e inevitável do envelhecimento?

Quando foi o momento em que você sentiu o romper
da sensibilidade dos que te rodeiam e que por conseguinte
o seu(questionável) amadurecimento não lhe trouxe
o respeito e admiração de outrem, mas, o desprezo
e esquecimento?

Como foi não ter nenhum significado
o que falaste,
o que fizeste(com tanta propriedade e metafísica)
não terem dado  menção aos seus efusivos
monólogos em que você mistura
Nietzche e Suassuna,
não convencer os “intelectuais” de ar condicionado e vinho francês,
tampouco os pobres e iletrados açougueiros que em sua inocência
propagam a matança covarde e o aquecimento global?

Não serás lido, entendido, admirado ou coisa que valha,
não viajará ‘darkamente’ ao passado para mudar aquele dia
que achas relevante; a sucessão de erros continuará...
como e quando você tentará furtar  o pêndulo 
que te impele pra treva? 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Alumbramento perdido


ainda
ainda que
ainda que tarde
ainda que tarda
            que   arda
                      antes
                         de você...

não      volto
  ao     posto
  ao suposto
             ponto
que você estabeleceu
que você pensa que...

   sozinho sigo
       arredio
       arrependido 
       alumbramento
                perdido.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Você quem?

o que você domina
o que você denomina

quem você inventa
quem você inverte

o que você suspeita
o que você suspende

quem você abomina
quem você absorve

o que você destrava
o que você desgraça 

quem você desata
quem você descaminha

quem você vê através
quem você vê na treva

você que...!
você quem?

domingo, 17 de novembro de 2019

O vigarista da adversativa


As três primeiras frases
foram de um cinismo abissal,
tentava aludir aquilo em que não
parecia crer,
era como se previsse algo,
um álibi premeditado,
a ‘overture’ da canalhice,
então, depois de um “mas” e vírgula,
escorre o que ele destilou com
bílis e lava,
desdizendo com veemência e despudor
o quê dizia acima,
o vigarista na sua melhor performance,
tentar persuadir os incautos,
fingidor nato,
seu principal objetivo,  
denegrir imagens, reputações...
   
...o reino do ‘fico por isso mesmo’ e da impunidade,
acaba aqui, denunciaremos qualquer falácia
dos falsários, alerta sempre e total.