eu vim à esmo
eu vim torto
eu vim a cabo
ainda não vim
ainda não me vi
ainda não ser vindo
vindo ainda estou
vindo quero ser
vindo pra onde?!
tão perto eu vim
tonto quase visto
tão longe vim quedo
eu vim à esmo
eu vim torto
eu vim a cabo
ainda não vim
ainda não me vi
ainda não ser vindo
vindo ainda estou
vindo quero ser
vindo pra onde?!
tão perto eu vim
tonto quase visto
tão longe vim quedo
debandar:
para
o cancelamento fácil
para
a concordância simplista
para
a filantropia de bonachão
retirar:
as condecorações
emolduradas
as decorações
excludentes
as
paisagens imóveis e sem fragrâncias
observar:
os
ventres fecundos do nada
as
mentes sublevando natimortos
as
suspicazes sinalizações de ética
cuidar:
do irascível
no gesto habitual
do
fortuito que desconstrói o aparente
da
iminente oxidação do âmago...
seria antes o caso
de tê-lo reescrito,
acaso eu lembrasse
o ocorrido;
melhor que fosse logo
desmentido,
desmemoriando, então,
o caso seria esquecido
e o descaso assumiria
seu posto,
deposto o ocaso
negror tornaria
e nada lido seria,
além do caso consumado.
palhaço você sorri
cai o pano
ninguém aplaudi
que palhaçada
você regozija
com a minha desgraça
fui um palhaço
cri que você
poderia retribuir gentileza
revele-se,
pro quando ser
pro pretérito imperfeito
revelo-me, pro oportuno
pro obstante
revele-se,
para além de sua distopia imaginária
para além de sua frágil substância
revelo-me,
aquém do julgo alheio
aquém do figurado discurso
revele-se,
no seu iluminismo de lamparina
no seu altruísmo capenga
revelo-me,
no meu evolucionismo retroativo
no meu infantilismo
provocador
revele-se,
nas flores carnívoras
no seu olhar de espinhos
revelo-me,
nas agruras eclipsadas do quê poderia
no oco do mim.