cacospoeticos
"SOU POETA MENOR, PERDOAI!" Manoel Bandeira.
domingo, 18 de janeiro de 2026
quarta-feira, 28 de maio de 2025
Efêmeros
passei
passamos
e
o quê ficou
o
quê resta
no
fundo da memória ‘Alzheimer’
na
lembrança de lapsos
o
quê ficou
em
cada âmago
o
vazio
o
esquecimento
puro
e simples...
passei
passamos
ela
foi mais brutal que o
capitão
Nascimento
me
pedindo pra sair
pra
sumir
covarde
que sou
sai
pela portinhola
que
estava entreaberta
pulei
a pequenina janela
do
sótão
esgueirei
pela fresta
mal
iluminada...
passei
passamos
o
segundo andar
congelou
corações
como
uma noite de nevasca
no
deserto
não
mais
nenhuma
aurora boreal
trará
de volta
o
frescor
da
primeira manhã de outono
que
adentra
sorrateiramente
pela
epiderme...
passei
passamos
e
o ‘tal’ amadurecimento
permanece
lá entre felinas
ferozes
leoas defendendo
suas
crias
(sic)
inatingível...
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Seria...
Seria
um
desgastes
desnecessário
então,
falarei
somente das
folhas
caídas
à
revelia do
vento...
seria
um
desperdício
descabido
portanto,
lembrarei
apenas
o
que fôra dito
aleatoriamente
sobre
o sorriso
verdadeiro
do catador de recicláveis
naquela
nublada manhã...
seria
uma
desavença
desconfortável
entanto,
destacarei
só
o
último diálogo
non
sense
com
o espectro
rivalizador,
semelhante
ao seu
semblante
ameaçador...
seria
um
descarte
desmoralizante
logo,
manterei
exclusivamente
na
prateleira defronte,
seus
insultos e descasos
para
não se perder
na
memória,
o
suco ígneo e escaldante
da incompatibilidade...
domingo, 16 de março de 2025
Não se glorie (os 3 is)
Não
se glorie,
por
ter sido
tão
turrona
(terra
seca, esturricada)
no
trato com outrem
‘’comigo’’.
Não
se glorie,
por
ter sido
tão
você mesma
na
sua pura essência.
Não
se glorie,
por
ter desempenhado
tão
bem o que de fato
vós
sois verdadeiramente
e
demonstrar
tão
claramente
aquilo
que não
consegues
esconder.
Não
se glorie,
nem
tente fingir
sentimentos
vãos
os
verdadeiros querendo ou não
sempre
emergem
nos
pequenos detalhes:
indiferença,
ao
abrir a porta quando chego
impaciência,
ao
responder uma qualquer indagação
ignorância,
ao
recusar carinho e afeto e energia,
‘’
não se atreva’’.
Não
se glorie,
aconteceria
num qualquer
momento
silente,
de
um jeito menos ruidoso,
aconteceria
à luz
do
vazio
do
alívio
e
estaria posto
como
mormente
desaba
a aurora.
Resta
pouco entre
a
memória
a
imaginação
as
tralhas
dentre
esses os rabiscos
que
esqueci de enviar
(dias
tardios):
‘não
pude voltar, espero que entendas’!
segunda-feira, 10 de março de 2025
Alheio à afetação
Absorto na luta
irracional
da mosca
e
seu desespero no vidro
e
eu incapaz de simplesmente
abrir
a janela...
...
e ela lá,
tergiversando
sobre a melhoria
das
universidades federais com
o
aumento do funcionalismo.
Absorvido no rugir
silencioso
da formiga
defendendo
com afinco
um
delicioso naco de açúcar...
...
e ela lá,
balbuciando
desconexas frases
sobre
poesia francesa,
petelecos
sobre literatura russa.
Abstraído na gatinha preta
que
se alongava sob
o
ruidoso ventilador de teto
enquanto
eu bocejada de tédio...
...
e ela lá,
falando
como se estivesse
elaborando
um raciocínio lógico
brilhante
e inovador.
Alheio à toda
aquela
afetação
eu
só pensava
em
ir pra casa
beber
um vinho
e
assistir a
2*
temporada de
Ruptura.
domingo, 2 de março de 2025
De ora avante
nem tente argüir,
descarte todas aquelas
pseudos argumentações
de ora avante
tente à miúde
desconsiderar todas as
considerações gerias
de ora avante
na sua pura insignificância
desbanque as suas
infundadas suposições
de ora avante
no seu puro suco de ignorância
debande precipícios à baixo
suas descaídas difamações
de ora avante
desista do improvável
sua suposta avant-garde
corroeu nossas apressadas conclusões
de ora avante
atente
ruiu
o que nunca prometemos
coda.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
Fazendo enterros
o
estrondo
fê-la estremecer
horrorizada
o
estio
fez-me
esmorecer mortiço
a
estrada
fez-se
escorregadia sem luz
[e bifurcada
o
estrago
fizeste
entremente a fúria
[e a nossa derrocada
o
estopim
fazer-nos
ia estralar ruidosamente
[o histriônico em cada
um
a
espada
fez-nos
cortes e enviou a paz
[de sermos unos.
domingo, 2 de fevereiro de 2025
Harakiri ao entardecer
Com toda beleza e
sinceridade ela
expôs minhas
chagas,
fístulas e
pústulas;
assim de memória
com a teatralidade bacante
ela ressaltou minha
lepra,
sífilis e
cancro;
fazendo uso
de sua aguçada
visão ‘feminista/funça’
ela retratou
fielmente minha
insensatez,
concupiscência e
masculinidade tóxica;
...................................
E eu, longe de querer
contestar ‘bulhufas’
expus a veracidade
do conteúdo.
..................................
Mas ela sabe,
ninguém deve esperar
vindo de mim
uma mudança radical
significativa que seja,
nenhum
harakiri
ao entardecer.
