Eu tinha acabado de abrir meu vinho tinto
seco e colocado na vitrola o 4*mov. da sinfonia
n*9 do Dvorák e o telefone tocou: era ela perguntando (de forma
intimidatória) se eu já tinha escrito o poema que eu havia prometido; nem sequer lembrava-me que tinha feito tal promessa; tentei argumentar que naquele (suposto) dia misturei tequila com cerveja e essa bomba me provoca uma terrível amnésia; façamos um acordo -eu disse- tenho aqui um gatinho filhote que é uma
graça e acompanha um livro do Fonseca mas, assim que ‘pintar’ uma inspiração... furiosa, com a respiração ofegante e fingindo controle -ela disse- não, deixa pra lá, não quero mais nada! calma, eu vou... ela desligou; pasmo lembrei de Clark Gable (...e o vento levou) ‘francamente, querida, eu não dou a mínima; completei minha taça, e dei um bom gole, nada cabalístico, signo, cartas ou coisa
que valha, mas, eu ia continuar no número 9, agora com Beethoven, sinfonia n*9 ode à alegria; sorri e afaguei minha gata tricolor, frase que ouvi de lugar qualquer ou seria de para-choque de caminhão: ‘você, realmente não é tão especial assim’;
por conta dos efeitos do vinho resolvi deixar ‘os desajustados’ para amanhã, novamente o sr. Gable e a belíssima Monroe, fim de outono noites frias preciso procurar meu cachecol e deixar o ranço alheio escorrer pelo ralo.
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