
Cássio divagando pleonasmos, uivando palavras aleatórias, ricas; Ricardo vomitando gritos guturais, bebados poemas plurais, e nós ali na espreita,
na espera, e era uma noite fria no subúrbio de bh.
Varo o quê em
mim é (des) igual.
Varo o irrisório,
o translúcido
e o surreal.
Remedios me provoca
Alucinações.
Remedios me transporta
pra fora da sanidade.
Deixa-me inerte,
sem ações,
longe da banalidade.
+1963
As possibilidades de Paz são ínfimas. Guerrilhas.
Bombardeios no front. Ataques surpresas, Pearl Harbor.
Nas trincheiras, lixos, destroços.
Batalhas nas árvores, praças, ruas...
Paz? Dar, receber, deixar em.
Como? É guerra.
Os inimigos se digladiam na arena.
Rompem barricadas, tomam Bunker’s, destroem.
Quando conseguem dar um pouco de Paz ao outro,
os combates consigo mesmo são ainda mais terríveis.
... E a Paz continua inexistindo...
Pela rua de cima
um andar vagaroso,
Desatento.
Pelo desfiladeiro
paralelo
um olhar raivoso,
Desconfiado.
E pelo canteiro central
da avenida,
eu, rasgando um copo
Descartável.
Ela é a terceira da direita
para a esquerda,
sim, o retrato ( o último) está um
tanto ilegível,
mas, dá pra ver a
angústia em seu olhar,
o desespero em seu sorriso.
Rumores dizem,
ciúmes,
os maldizentes,
vingança,
ouve-se até,
amor não correspondido;
o fato é que ninguém sabe a
verdade em sua exatidão.
Seus olhos nunca foram encontrados.
Quando aquela música começou, ela sobressaltou,
Levantou-se e começou a dançar e cantar junto com a música;
Sem entender nada se entreolharam, um deles:
- Garçom, mais uma rodada, que está ficando bom aqui, riram.
- Vou dar um beijo em quem me dizer o nome da música
E quem está cantando.
Agora quem riu foi ela sabia das limitações de todos
Ali na mesa.
Ele virou-se e olhou-a:
Calça de couro, blusa branca, botas,
Cabelo solto, sem maquiagem.
Pegou um guardanapo e escreveu:
“Tens bom gosto, esta música faz parte da
Trilha sonora do filme ‘Estranhos no Paraíso’
Do Jim Jarmusch, outros também gravaram,
Nina Simone, Creedence, mas aí é cantada por
Jay Hawkins, ‘I put a spell on you’.
Estou sozinho bebendo um vinho é só você achar
O cartaz do filme ‘Acossado’ do Godard.”
O garçom a entregou.
Leu, não acreditou.
Sentou, releu.
Todos na mesa olhavam pra ela, perplexos.
O bar era todo decorado com fotos de filmes europeus.
Ela parou enfrente e balançou o bilhete,
Ele balançou a cabeça e sorriu:
- Sente-se e beba um copo de vinho comigo.
Ela aproximou e lhe deu um longo beijo.
- Eu sempre pago minhas dívidas primeiro...
- Você gosta do filme também?
- Eu ainda não vi, convide-me.
Começava ali uma noite diferente pra ambos.
Fotos do filme "Estranhos no Paraíso".