quarta-feira, 5 de março de 2014

Besunta



Besunta.

Besunta, é carnaval.

A desfaçatez é sem caras.

São máscaras, apetrechos & apalpadelas.

Besunta, a arapuca já foi armada,

uma qualquer carapuça irá te servir,

sorria arlequim, sua fuça te condena.

Besunta e siga o cortejo,

o trio, o bloco ... o desfiladeiro.  

Besunta, é festa, a carne

está pro viés, pra quem quer.

Meleca essa porra,

tem gente ao redor,

tem de tudo, pra todos.

Besunta,

os galhofeiros seguem 

a marcha do deboche,

fazem coro

na folia da objetificação.   

Besunta, sinta a palpitação,

o fremir, a ebulição,

o reverberante jorro.

Besunta, festeje o inaudível sonido,

o alucinante colorido.

Besunta, vamos, e vamos,

tem como,

com jeito empurramos,

e seguimos, e suamos,

e... mas besunta.

Besunta que é carnaval.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Chakras



Inóspita bruma.
Ela nem se dá
aos infortúnios 
que aqueles atos
por ventura causariam 
à sua consciência/imagem,
é indiferente ao chamamento
não ouve a  anunciação
que vem entrementes
os estrondos e os
silentes,
nem liga pro estabelecido,
pensa somente nos
chakras
e nos prazeres
multi-orgasmáticos.
Insólita manhã

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Apressar



Apresse-se!  
o ar está demente,
o manto já caiu,
e o sagrado
ficou pra quando for,
pra talvez...
Apresse-se!    
amorfas bugigangas estralam ao sol,
decifrados os desenhos nas rachaduras;
pra quantos destina-se
o destoar
a iminente finitude,
o exasperante descaso?
Apresse-se!
e não pergunte  
quem fez aquilo, 
quem fez o quê.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Cyn com Sin

Na estrada niilista  
o tempo nunca retorna, 
acordes tatuados da Witthoft 
ecoam 'pra lá' da ilha de lesbos,
trespassa o imobilismo 
dos copiadores, 
da masturbação alheia.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Decúbito



Desconverso
sem  assunto.
Amuo
sem verso. 
Cubículo   
sem versículo.  
Decúbito  
sem ânimo, reviro.  
Desvencilho
sem  ater
sem ver
sem ter onde...    

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pelo passeio da rua arborizada



Esvoaçante  
 toda ela
cabelo  quadril  caifã.   
 Flâmula
tudo nela
arde  expande  flui.
Garboso
dela todo
galgar  desinteresse  sorrir.