terça-feira, 10 de maio de 2022

Antologia Poética

 

Terminando de ler ‘’Novo Decameron’’,
mais uma antologia poética com organização  
de Rodrigo Starling e trabalhos gráficos do selo Starling.
Grato pelo convite pra fazer parte deste projeto poético.
Obrigado Rodrigo! 











segunda-feira, 9 de maio de 2022

Após bombardeios

 

vazio e silencioso
como os escombros
pós os bombardeios 
 
silencioso e triste
como os entulhos empilhados
depois da demolição  
 
triste e vazio
como um minimalista
após o transbordamento.

domingo, 24 de abril de 2022

Eu caminho...

 

Eu caminho com todas
as páginas em branco;
 trôpegos caminhos com
 poucas páginas respingadas;
  algumas páginas trêmulas
  eu caminho sonâmbulo no subsolo;
   por caminhos torpes
   avulsas páginas gritam aquele nome;
    com tremores eu caminho
    em páginas videntes que vislumbram fins;
     pequeninas e turvas páginas
     os caminhos já não direcionam emboscadas;
      no paralelo trágico, eu caminho
      páginas sem salmos, sem libido, voam;
       páginas tentam esconder o óbvio que ninguém vê
       eu caminho perto do sábio sem certezas;
        promessas escritas à sangue em páginas rubras
        exaltado eu caminho e sinto luzes piscantes;
         os caminhos são longe
         as páginas vazia estão;
          eu continuo raspando páginas pro caminho aparecer.  

domingo, 17 de abril de 2022

Para reler e pra rever!

 ...então me faça um favor: levante a cabeça e abaixe os punhos.  
Não importa o que digam, não deixe que eles a façam perder o controle.
Tente lutar com as ideias, para variar... mesmo que seja difícil. 
 
...Rose Aylmer era a gata de tio Jack. Era uma linda bichana amarela que,
segundo ele, era um dos poucos seres do sexo feminino que ele  
conseguia aguentar de modo permanente.😅😺   
  
Maravilhosos, livro e filme!  













 

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Enquanto acontecia

 

Enquanto acontecia  
eu estava distraído pulando abismos
 
enquanto ela me esquecia 
eu estava para além da solidão, além do convívio  
 
enquanto soprava a ventania
eu estava amuado reinventando um samurai
 
enquanto o duende dormia
eu despertava nu num bangalô
 
enquanto a força motriz movia
eu pensava no triste espelho arrudiado de neblina
 
enquanto a treva me seguia
eu perdia a vez de guiar a desgarrada 
 
enquanto a nuvem descia
eu avistava nosso desmoronar
 
enquanto ao derredor se desiludia
eu tropeçava em cascas e cacos deixados
 
enquanto notas o maestro carpia
eu desvirtuava hinos que soavam no arrebol
 
enquanto imóvel o astro permanecia
eu girava em busca de um silêncio prosaico 
 
enquanto acontecia
eu estava nalgum lugar que será sempre, só meu.

domingo, 3 de abril de 2022

Poesia...

 

poesia, vamos abandonar a intenção de
sofrer por nada, por nós
 
poesia, esqueça o desimportante e o que
supostamente foi revelado, e foi mínima suposição  
 
poesia, vou te deixar à deriva enquanto naufrago
 
poesia, grasne aí, eu uivo aqui, para a nossa militância
surda e gelatinosa que só sabe abanar o rabo
 
poesia, aos cães incrédulos, falemos...
 
poesia, escolha sua direção na próxima bifurcação   
 
poesia, não tutele os perdedores da guerra,  
eles tendem a contar falsas histórias
 
poesia, desista de mim,
de quem te renega  
 
poesia, vou arranjar um objetivo
mais modesto.

segunda-feira, 28 de março de 2022

Na manhã da sua sentença

 

Na manhã da sua desventura
pediste pastel de queijo e café com adoçante;  
  
naquela manhã
pedi pra ela deixar a janela aberta.
 
Na manhã da sua descoberta
pediste o cacto que, velho, não floria mais;
 
naquela manhã
pedi pra ela colocar aquele som armorial.
 
Na manhã da sua descaída  
pediste a exclusão de todas as fotografias;
 
naquela manhã
pedi pra ela afiar as adagas.
 
Na manhã da sua despedida 
pediste a imediata queima dos livros que ousei indicar;   
 
naquela manhã
pedi pra ela nos servir o derradeiro vinho.
 
Na manhã da sua sentença
pediste com aquele peculiar rigor que eu não duvidasse do fim;
 
naquela manhã
obedeci.

domingo, 27 de março de 2022

Coleção Flores do Caos

Espinhos e erupção.  
Afã. 
Esperando pelos dois primeiros 
exemplares da coleção. 
Comportas abertas, outros tantos virão. 
Romper o insólito dentro do Kaos 
e ver ruir a geléia que falsamente 
divide e distancia.  
Dentro das [in]esperadas mudanças
trespassar as 'nuvens' 
e reverberar o que ficou por dizer,
ficou oculto. 
Aguardemos, pois...