domingo, 21 de agosto de 2022

Corromper

 corrompi
o seu poema  
e ele nem era
tão bom assim
 
corroí
o seu corpo
e, sim,
ele ainda
é muito bom
 
converti
os meus garranchos,
e eles suspensos estão
pairando perto do
dantesco báratro  
 
corri
desembestado pela duna
e nem toda aquela areia
conseguiu soterrar
as minhas
angústias  
 
cumpri
o que você
de forma exaltada
e autoritária exigiu
distância
e silêncio...

domingo, 31 de julho de 2022

Cinema

 Na falta de inspiração, um pouco de sétima arte.  
Terminando o ótimo livro do Ruy Castro, 
pra começar o biografia do melhor de todos os tempos: MARLON BRANDO!  


Ah! Elizabeth, a mais linda!

 


 

domingo, 17 de julho de 2022

Desequilíbrio

 

numa queixa fugidia

num breve lapso ignorado

nu, olhar embaçado, sem foco

 

logo um desabrochar frondoso

longo o desaguar na pororoca

longe o desvio revigorante

 

lógico

nada

supera o pungente desequilíbrio

fantasia/realidade.

domingo, 26 de junho de 2022

Com marcas de sangue

 

A tentação fácil no seu
olhar claro e penetrante 
 
adorno meus
          fetiches
      imolo suas
           imagens
             virtuais
                   seus
              nudes 
     suplico marcas
             com sangue
 
ela me ignora 
       me excita 
       me desgasta
nos esforços tântricos  
 
a persuasão demoníaca
que ela evoca
com indumentarias
que transtorna,
que povoa e
transubstancia
meu sono,
transforma em
pesadelo
acordo molhado
 
ela transgride
o que seria pleno
e orgástico 
 
divina/profana
 
me exclui
me subjuga
como uma sadÔ   
 
cuida-te, pois!
afasta-te,
eu perigo violento furor
a bondade passa ao largo
 
quero seu sangue misturado
com meu sêmen
seu formoso deleite na
minha saliva
 
seu êxtase dando
cãibras e pausas 
 
seu/meu
nossos prazeres reinando...


segunda-feira, 20 de junho de 2022

Mais eu mesmo, do que sou agora

 mais eu mesmo
do que sou agora
 
muito menos
do que eu deveria
 
mesmo eu
de tudo que não sou
 
menos do mim
que fui antes
 
do que fui antes
o desvio inevitável do caminho certo
 
as decisões que outrem tomaram
e o fulminante impacto em mim
 
findas, bondade e paciência
sou mais ou menos eu­­!
 
tudo fora do lugar
o todo perdido no tempo
 
ao mesmo tempo
longe, mas reativo na memória 
 
buscar a ruptura
que pra * já virou universo paralelo
 
agora, menos eu mesmo
do que fui outrora...

domingo, 5 de junho de 2022

Distante o suficiente para não odiar

a bifurcação dizia:  
um só caminho 
erre novamente. 
 
distância (in)suficiente
o ódio pinga 
a conta-gotas. 
 
cuidado: mata-burro
mas não volte  
reside lá a indiferença. 
  
adagas lançadas 
sangrar o cordão umbilical  
vedar o olhar do desprezo. 
 
odiar o suficiente e 
lidar com a fúria alheia 
sair sem dimensionar o vão. 



segunda-feira, 23 de maio de 2022

Você, realmente não é tão especial assim

 

Eu tinha acabado de abrir meu vinho tinto seco
e
colocado na vitrola o 4*mov. da sinfonia n*9 do Dvorák
e o
telefone tocou:
era ela perguntando (de forma intimidatória)
se eu já tinha escrito o poema que 
eu havia prometido;
nem sequer lembrava-me que tinha feito
tal promessa;
tentei argumentar que naquele (suposto) dia
misturei tequila com cerveja
e
essa bomba me
provoca uma terrível amnésia;
façamos um acordo -eu disse-
tenho aqui um gatinho filhote que é uma graça
e
acompanha um livro do Fonseca
mas,
assim que ‘pintar’ uma inspiração...
furiosa, com a respiração ofegante
e
fingindo controle -ela disse-
não, deixa pra lá, não quero mais nada!
calma, eu vou...    
ela desligou;
pasmo
lembrei de Clark Gable (...e o vento levou)
‘francamente, querida, eu não dou a mínima;
completei minha taça,
e
dei um bom gole,
nada cabalístico, signo, cartas ou coisa que valha,
mas, eu ia continuar no número 9,
agora com Beethoven,
sinfonia n*9 ode à alegria;
sorri e afaguei minha gata tricolor,
frase que ouvi de lugar qualquer
ou seria de para-choque de caminhão:
‘você, realmente não é tão especial assim’;  
por conta dos efeitos do vinho
resolvi deixar ‘os desajustados’
para amanhã,
novamente o sr. Gable e a belíssima Monroe,
fim de outono
noites frias
preciso procurar meu cachecol
e
deixar o ranço alheio escorrer
pelo ralo. 




domingo, 22 de maio de 2022

Vangelis

 Adeus Vangelis! 
Obrigado por essas maravilhas sonoras deixadas, e que serão eternas,  
especialmente[pra mim] Blade Runner.