terça-feira, 13 de agosto de 2013

Conto: O Livro



 Com aquela completara a terceira vez que ele ia à minha
casa tentar vender outro livro.
Novamente houve o desencontro, por onde eu andava e
o quê eu fazia sabe-se lá, provavelmente bebendo vodka
barata e batendo cabeça, não importa.
Em certa ocasião tive a oportunidade de dar uma olhada  
naquele baú, baú de espantos, de bardos tantos, junkeis;
claro estava, ali havia nova chance de adquirir por uma 
‘pechincha’ um bom material.   
Caminhada perdida deixou-me um bilhete, rabiscos é verdade 
que dizia o que segue:
                                        Belo Horizonte, Inverno de 1995.
              Camarada Israel!!
Assim como Sade, Baudelaire, Rimbaud, Lautrèamont, 
Genet também teve sua alma chamuscada pela mesma
pirotecnia sísmica inerente ao mesmerismo que excita
em sobressalto!!
Suas personagens degradadas e esfoladas por ele mesmo,
quê é ele mesmo desdobrando-se e amalgamando-se na
pletora dos seus temas...
É dispensável qualquer apresentação.
É apenas para exercitar os punhos mercenários.
Que Nossa Senhora das Flores o proteja!!!!
Dos apáticos, dos políticos, dos intelectuais,
das greludas, da masmorra e da poesia engajada...
                               do seu amigo
                                                                          Karide  
Jean Genet, sim, autor de ‘Diário de um ladrão’,
livro que eu já havia lido à alguns anos e gostado muito.
Estava ali maneira mais fácil de acrescer aquela pobre
estante minha.
A pressa não se fazia, deixei que o ‘Influências’ terminasse,
coloquei a bermuda surrada, peguei as economias que era  
para a garrafa de destilado no final de semana e fui em busca
da nossa senhora, ia já ensaiando alguns pedidos, 
que ela me desse além de proteção, inspiração para a poesia
e muita disposição e desenvoltura com as greludas. 

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